Avanços e barreiras na preservação do patrimônio cultural

Os desafios de realizar a gestão do patrimônio cultural de forma integrada e colaborativa, as expressões materiais e imateriais a serem convertidas à condição de patrimônio cultural, e os sujeitos que constroem e partilham o patrimônio foram temas abordados nesta tarde, dia 16/08, durante o Seminário “Convergências na Gestão do Patrimônio Cultural do Espírito Santo”, com a participação de pesquisadores e especialistas.

O evento foi realizado pelo Instituto Penedo, em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e com a Secretaria de Estado da Cultura (Secult). O seminário, que ocorreu das 14h às 18h, foi uma das atividades da Semana do Patrimônio, realizada entre 12 e 18 de agosto em todo o Brasil, visando à aproximação da população ao Patrimônio Cultural Brasileiro.

O presidente do Instituto Penedo, Kleber Frizzera, abriu o seminário abordando as múltiplas contribuições para a produção da cultura e os riscos atuais “diante das mudanças climáticas, dos negacionismos e das fake news de todas as ordens”, inclusive da inteligência artificial, que, citando o escritor Yuval Noah Harari, pode nos levar ao fim da história humana.

O superintendente regional do Instituto do Patrimônio Histórico (Iphan), Joubert Jantorno Filho, destacou, na abertura do evento, “a importância de se lembrar que quem constrói a cultura é o nosso povo e que o olhar da preservação, sob a ótica da gestão pública, é dos nossos técnicos. Por isso, é importante que nesta Semana do Patrimônio, comemoremos a dedicação de todo o pessoal que cuida da preservação do patrimônio histórico, artístico e cultural deste país.”

O secretário de Cultura do Espírito Santo (Secult), Fabrício Noronha, comentou sobre os desafios de promover uma política de patrimônio e os avanços já registrados, com instrumentos de financiamento, legais, de conhecimento e técnicos.

Mesa Redonda

Num segundo momento, foi realizada uma mesa redonda que reuniu o historiador e doutor em História Social (Iphan-ES) Filipe Oliveira da Silva; a arquiteta e urbanista (Iphan-ES) Melina Santos Marques; a arquiteta e urbanista, gerente de Memória e Patrimônio da Secretaria de Cultura do Espírito Santo (GMP – Secult-ES) Patrícia Bragatto; e a professora doutora Renata Hermanny, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Ufes (DAU/Ufes), que atuou como debatedora.

Patrícia Bragatto apresentou as ações de proteção do patrimônio desenvolvidas pelo governo do Espírito Santo. Melina Marques destacou as iniciativas do Iphan na área do patrimônio arquitetônico e apresentou os principais restauros recentes realizados pelo Iphan. Filipe Silva falou sobre os inúmeros desafios para a preservação do patrimônio imaterial, principalmente dos povos originários e tradicionais. Os três participantes listaram várias dificuldades para a implementação de políticas de preservação do patrimônio, que vão desde a falta de pessoal técnico qualificado para a grandiosidade e complexidade das ações em desenvolvimento e a serem realizadas, até a morosidade do processo de reconhecimento dos bens culturais para fins de tombamento.

A professora Renata Hermanny discutiu a necessidade de se tomar o conceito de território como eixo para a construção de políticas de preservação do patrimônio que considerem a correlação dos elementos materiais, imateriais e naturais. Também propôs o conceito de rede como caminho para uma convergência na atuação das diversas instâncias de gestão que tratam do patrimônio.